quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Dare

Me ser é dançar
no escuro só com a luz do stand by
apertar os olhos e me ter a pular no espaço de lua em luar
em estrela
entre radio-transmissões
colhendo crenças, conspirações e chás gelados para corações partidos
de carona no nosso eu
ao fim da música eu vou parar.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

budistas

Ainda há essa gente que corre mais que o mais possa correr
pra ir buscar um sentido, uma razão, um ser
seu próprio.
sentindo nos calcanhares tudo o que miram o olhos
e trazem de volta significados para palavras já ditas
como que desdizendo-as ao pintar nova aquarela com as mesmas cores da antiga.
Tudo simplesmente pela arte, e ela por ela própria e mais ninguém.
Não me apercebo se seu horizonte tornou-se vertical.
Mas te sigo por todo o teu caminho de ida e de volta e de revolta sem repetir qualquer traçado fora do meu concreto ou do raio das minhas antenas.
te sugo a ti e a outros tantos quanto meus poros possam equivaler
Ao te devorar deixo no prato os restos que expulsariam minha essência.
Logo te tornas o que me torno e não te percebo mais em mim.
Te troco
mas apenas te uno a outro
assim me torno o mundo
pois meus contáveis sentidos
são apenas portas para o infinito.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A rua de casa.

Enquanto estou aqui esperando amanhecer, nunca deixo aquela rua. Nem vou deixar..Quando numa noite dessas eu estiver de passagem - ou de volta - e me encontrar. Quero ter um Band-aid pra me entregar e por no meu dedão. Algum conselho a receber.

Da minha janela eu não consigo ver agora. Mas sei que estou ali sob o poste solitário de luz amarelada, sentado na calçada, brincando com as pedras pequenas que já brotam do asfalto. E dessa noite, por mais que eu veja nascer o sol de Manchester ao Tibet, nunca sairei.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O marinheiro Ian

Esperanza para a terra,
Esperanza para a terra.

Eu queria alguém para quem cantar. Mas vocês parecem tão longe que até parecem o passado. Eu sei que estão aí, presentes, cada um é o próximo do outro e é amado como a palavra manda ser. Eu não me sinto mais o próximo de ninguém. Esse céu amarelo queimado de luz morrente, não é de Deus, não. Porque se fosse Dele tinha um passarinho, tinha passarão, e como tudo que se compre na omnisciência, o passarão come o passarinho. Aqui, o homo não sapiens nem habilis nem mortuo. Eu não lembro porque não sei nem nunca soube ou um dia saberei. Esperanza para terra, nós chegamos. Aqui se descansou no sétimo dia, nós descansaremos até o que veio depois do segundo milésimo dos anos. Nós chegamos e não sabemos se queremos ficar ou como sair. Eu acho que iremos apenas ir. Eu deixo amores para fazer companhia aos meus beijos que ficaram, mas não mando lembranças nem qualquer outra coisa porque elas e tudo o mais já ficaram aí. Mando palavras para meus desamores, pois é só o que me resta, mas já não presta pra nada. É apenas para que não esqueçam. No embrulho das palaras vai um pedacinho da lua, ou pelo menos o que eu acho que o seja. Peço que coloquem ao lado do meu coração quando ele parecer apaixonado e, quando acontecer, que a dêem a ele um violão. Dia desses acordei pensando nas saudades que deixei, mas não tenho nada para mandar pra elas. Mas se elas ainda morarem lá em casa, eu queria que lembrassem a chave e a fechadura pra depois que se casarem, guardarem a minha mãe. O Timoneiro Ivan disse que mães são coisas sagradas, então é melhor guardar a minha pras saudades não ficarem brincando com ela, pode quebrar.

Daqui há muito o que se dizer, mas nada deve ser dito.
Devo ter deixado meus desejos dentro da gaveta mais baixa do guarda roupa, lá deve estar o desejo de que vocês encontrem todo o amor que O Poeta disse que a humanidade precisa, ou que alguém descubra uma terra boa para plantá-lo.

O marinheiro Ian

Esperanza para a terra,
Esperanza para a terra.

Eu queria alguém para quem cantar. Mas vocês parecem tão longe que até parecem o passado. Eu sei que estão aí, presentes, cada um é o próximo do outro e é amado como a palavra manda ser. Eu não me sinto mais o próximo de ninguém. Esse céu amarelo queimado de luz morrente, não é de Deus, não. Porque se fosse Dele tinha um passarinho, tinha passarão, e como tudo que se compre na omnisciência, o passarão come o passarinho. Aqui, o homo não sapiens nem habilis nem mortuo. Eu não lembro porque não sei nem nunca soube ou um dia saberei. Esperanza para terra, nós chegamos. Aqui se descansou no sétimo dia, nós descansaremos até o que veio depois do segundo milésimo dos anos. Nós chegamos e não sabemos se queremos ficar ou como sair. Eu acho que iremos apenas ir. Eu deixo amores para fazer companhia aos meus beijos que ficaram, mas não mando lembranças nem qualquer outra coisa porque elas e tudo o mais já ficaram aí. Mando palavras para meus desamores, pois é só o que me resta, mas já não presta pra nada. É apenas para que não esqueçam. No embrulho das palaras vai um pedacinho da lua, ou pelo menos o que eu acho que o seja. Peço que coloquem ao lado do meu coração quando ele parecer apaixonado e, quando acontecer, que a dêem a ele um violão. Dia desses acordei pensando nas saudades que deixei, mas não tenho nada para mandar pra elas. Mas se elas ainda morarem lá em casa, eu queria que lembrassem a chave e a fechadura pra depois que se casarem, guardarem a minha mãe. O Timoneiro Ivan disse que mães são coisas sagradas, então é melhor guardar a minha pras saudades não ficarem brincando com ela, pode quebrar.

Daqui há muito o que se dizer, mas nada deve ser dito.
Devo ter deixado meus desejos dentro da gaveta mais baixa do guarda roupa, lá deve estar o desejo de que vocês encontrem todo o amor que O Poeta disse que a humanidade precisa, ou que alguém descubra uma terra boa para plantá-lo.