segunda-feira, 30 de março de 2009

Samba de cinco notas

Foi por um norte ou pelo sul
que eu deixei de guiar a carruagem você me deu?
naquele dia...
E meu dinheiro se acaba
dá uma senha pra eu falar com deus.

Você me diz 'tá tudo bem'
outro dia
sei lá
sei cá que hoje eu vou te chamar.
Como é que fica?
Um cinema na tarde
e aquele beijo que te devo, dá?

Mas não me deixa assim
num adeus sem abraço
uma dança num sem espaço
e quem não gosta
quem não carece
aparece
inventa então
um motivo pra televisão calar.

e vai que até ficará
nosso plano imperfeito
um 'meu amor dá um jeito'
de amanhecer
eu posso dormir em órbita
terrestre ou além mar.
Ou além mar...

Arpejo

Existe essa linha fina
entre as sutilezas opostas do mundo.
Linha delicada, quase feminina.
Sabe, amor e ódio
criação e esquisitice
amizade e idiotice
essas obviedades;
começo...
fim....

sábado, 28 de março de 2009

Insônia

A claridade adentrando o quarto
O corpo pedindo descanso
O coração batendo acelerado
A mente a mil por hora
Hipóteses e insinuações tormentuosas
As pálpebras seguindo o ritmo, desritmando
O passo, descompassando

E enquanto por fora apresenta
uma imobilidade, inércia
Uma tormenta, um inferno,
uma infinita tortura
por dentro impera...
Sonhos perdidos, ilusões ameaçadas
Inquietude eloqüente
Por fora o beijo de boa noite.

O coração batendo acelerado
A claridade adentrando meu quarto
para um dia... nublado.

[12.11.2008]

quinta-feira, 26 de março de 2009

Dimitri


Silenciosamente ela caiu, mas não no chão. Sem surpresa nenhuma. Não desejava, mas, de certa forma, aquilo me causava um bem desconfortável, um mal confortável. O gosto salgado vinha-me a boca, descia pela garganta. Mais um grito engolido. Mais alguns soluços digeridos. E essa digestão se prolongava cada vez mais, a ponto de me causar enjôos repentinos.


Embora esteja bastante cansado, nada tenho feito durante o dia todo, durante minha vida toda. Nada de interessante acontece. Não me esforcei pra conseguir nada, tudo veio a mim. Todo o nada que me rodeia quando estou imerso em nada além de mim. E o que há além de mim? Talvez me sentisse melhor se tivesse feito algo. O que há pra ser feito? Não há nada. Nada além de respirar. Inspirar fundo. Sem expirar.


Silenciosamente outra cai, mas não no chão. Parece bastante pesada. Tenho que engolir novamente. Sinto nojo. Não sei ao certo de quê. Talvez seja esse gosto salgado. Me sentia triste, eu acho. Talvez fosse o cheiro ao redor me lembrando de algo esquecido. Algo que eu parecia não querer lembrar. De qualquer forma a saliva descia como sempre, pesada, morna e salgada. Assim como aquela que já havia caído sem molhar o carpete.


Olhava ao redor e todos os lugares não continham significado. O que eu buscava quando observava os seus detalhes? O que eu precisava para ser mais um alguém em meio à multidão? Eu estava deslocado. Meu relógio havia parado em horas desconhecidas. Horas de enjôos e lágrimas que nunca caiam no chão. Me faltava algo. Algo que não saberia ao certo explicar. Talvez fosse amor. O que eu tenho não sei se é amor ou se é somente solidão. Uma falta desesperada de um alguém, de um alguém a mais, de mim mesmo, de um amor, de amor próprio. Uma falta de mim...


Há tantas coisas bonitas do lado de fora, mas elas não se encaixam em mim, não me fazem o menor sentido. Não me atraem. Tudo em mim é incompleto. Tudo em mim é incoerente. Não estou acompanhando o ritmo de todos. Todos parecem ter a mesma pressa. São os mesmos passos compondo uma música estranha. Um som desconhecido aos meus ouvidos. É algo de novo ao meu silêncio, mas é algo passageiro. Um som que penetra em mim e não me preenche. Meu silêncio em meio ao som de automóveis, gritos e buzinas. Meus olhos dançam, procuram algo, se perdem na fumaça. Logo estou imerso novamente. Logo estou perdido nos meus gestos sem motivações, nos meus sorrisos sem alegria, nas minhas lágrimas que não molham. Estou perdido dentro de mim. E o que há em mim? Eu não sei, mas sei que deve haver algo. Assim eu espero...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Vincent

Era uma vez um desejo,
Era uma vez uma caixa e um segredo,
Era uma vez um menino,
O pequeno vincent, tão rico, tão pobre, em um mundo tão grande sozinho.
Era uma vez o amor,
A vez de um renegado amor se inibir, um enterro,
E lá dentro de si o vazio,
Expressado no rosto em silêncio.
Era uma vez o desprezo,
Seria loucura ou mais um pesadelo?
Era uma vez um vazio...
Que esse mesmo menino, o vincent, cansa pra carregar...

Mas porque parar pra pensar em chorar?
Porque diabos a humanidade frenética virá a lhe consolar?
Se nenhuma de suas lágrimas será pela dor?

Pensando assim vincent se mudou.
O seu lar não é mais colorido.
O seu gesto não tem mais um motivo
Para mudar toda a dor que escondeu.
É triste a situação... Pra nós.
Não para vincent.
Mas na verdadeira morada dele os anjos serão ilusões,
As matas serão apenas matas
E a estrada brilhante não terá elegância.
Mas vincent continuará a cantar:
“Se essa rua, se essa rua fosse minha,
Eu mandava, eu mandava ladrilhar...”
Enquanto lembrar dela, recitará cada letra do verso,
E a cada verso um sorriso.
Ou a cada verso um soluço? Se possível...
Nada tenho a perder. Que medo eu hei de ter? Disse ele.
O que não tenho mais é dos vermes.
Na caixa, lacrada, enterrada.
A humanidade há de ver,
O que há nessa caixa ninguém há de ter.
Segredo é segredo. E a caixa é doença.
Ninguém vai querer vê?
Ninguém pára, vincent!
Você vê, nos outros, o que quer ver.
É o que pensam de você
Deixe que fique assim.

Pensando nisso vincent se mudou
Mas esse lar era mais colorido
Vincent não é mais um menino
E sonhou com o que desejou
No lugar onde os filhos brincavam
Era onde sua mulher elogiava
O pequeno grande Vincent
Que além de tudo se amava
E sabia que lá não há dor.
Mas o tempo passou, e então ele
Notou no que se enganou
O mundo de vincent é tão diferente!
As palavras já pairam no ar
As pessoas sentiam-se livres
E não tinham medo de amar.
Porque para vincent nada mais é pior
Ou no mundo dele ou dos outros
Que não poder se ver no espelho.

Era uma vez uma caixa
Enterrado com ela tinha o seu coração
Era uma vez um amor que no silêncio ficou
Para não ser em vão, mentiras serão?
Como provar algo agraciado com um simples olhar?
Mas o pequeno vincent continuava a se esforçar
E seu desejo era além da imaginação
Queria sentir o calor do abraço sem poder sentir medo
Mas nada há de ser tão desejado no mundo por vincent
Do que ter importância para os outros e para si mesmo.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Algo sobre batatas.


Cinco e treze da manhã de quinta feira quando a formiga saiu para comprar batatas. Nunca havia feito isso antes, nem sequer entendia como uma formiga podia estar saindo para comprar batatas, de qualquer forma, no entanto, havia acordado naquela manhã com o estranho intuito. Batatas.
- Bom dia, quanto custam as batatas?
- Quem é você?
- Eu sou a formiga.
- Formiga de quê?
- Formiga de nada. Formiga, e pronto.
- Isso é absurdo.
- Absurdo é você estar falando com uma formiga.
- ?
- E ainda querer que ela tenha um sobrenome. Quanto custam as batatas?
- Cinco yennes o kilograma quadrado.

E como a formiga percebesse que não tinha dinheiro:

- O senhor pode simplesmente me dar as batatas e fazer três por nada?
- Isso não faz o mínimo sentido. Três por nada só pra uvas.

A formiga lembrava-se de ter comido uvas alguma momento na vida, mas quando acordara, acordara para comprar batatas.

- Quanto que o senhor disse que eram as batatas?
- Dez dólares o metro.
- E o quilograma quadrado?
- O o quê?
- O quilograma quadrado.
- Nunca ouvi falar de ninguém vendendo batatas desse jeito, quilograma quadrado só pêra.
-Eu não tenho dinheiro.
- Então vá trabalhar...

O fato é que a formiga trabalhara durante a vida inteira, mas a idéia de ganhar algo por isso era novidade.

- Agora se você quiser se retirar, o mercado está cheio e a senhora apenas ocupa espaço.

Não podia simplesmente ir embora, não sem as batatas. Enquanto se desesperava, uma voz pareceu-lhe conhecida. A cigarra estava a comprar batatas e, acima de tudo, com dinheiro, mais acima ainda, dinheiro dela, um pouco mais abaixo mas ainda acima de algo: Como podia uma cigarra estar comprando batatas?

A formiga não resistiu:

- Com licença...
- Você de novo?
- Desculpe, o senhor não acha um pouco absurdo estar vendendo batatas para uma cigarra?
- Claro que não, absurdo é você se chamar apenas formiga.
- Eu não vou discutir isso, mesmo porque tenho certeza que essa cigarra também não tem sobrenome...

E sorrindo:

- Claro que tenho.
- Era só o que me faltava, e qual seria?
- Smith.
- Cigarra Smith...?
- Sim , sim. Cigarra Rodrigues Smith.
- Meu deus...
- Viu só, uma cigarra e tem sobrenome.
- ...E dinheiro! De onde você tirou isso?
E a cigarra discorreu longamente sobre como havia desistido do meio artistico sem necessariamente sair do mundo artístico, "minha música era demais para o mainstream, sabe?""Agora eu trabalho com livros, no ramo editorial. Não é lá grandes coisas, mas sabe como é , tem esses invernos...

A formiga queria desmaiar, algo estava mais errado que de costume, precisava logo dessas batatas. " A propósito, estou acompanhando uma artista muito interessante, ela está se reinventando sabe, se adaptando ao contemporâneo, vai começar uma sessão de autógrafos daqui a cinco minutos ali na venda de carne". E com isso a cigarra se retirava levando as batatas.

Dos insetos falantes que compravam legumes, a formiga só tinha como companheira a ex- cantora, daí a decisão de tentar seguir os mesmos passos profissionais. A tenda de carnes era realmente um lugar movimentado, um lugar perfeito para autógrafos artísticos. Foi assim que o açougueiro anunciou:
- Hoje especialmente no açougue "o frango feliz" nós temos a ilustre presença da renomada personagem da literatura mundial, Alice , direto do país da maravilhas para lançar o seu mais novo best-seller, "Minhas tardes com Lewis", distribuindo autógrafos e comendo bistecas com os fãs. Na compra de um kilo de maminha você ganha, grátis, um exemplar do livro.
Ao fim do anuncio a outra caixa começa a falar:
- Atenção, atenção! somente hoje, em visita única, temos o prazer de receber aqui na feira o talentosíssimo artista Pequeno Príncipe respondendo às perguntas dos fãs sobre o seu novo sucesso de bilheteria "Te cativei, agora vai te fuder".
Cinco minutos depois o Pequeno Príncipe já havia autografado vinte livros e Alice respondido dez perguntas.
- Uma pergunta Alice?
- Mas eu estou dando autógrafos.
- Uma bisteca, por favor!
- O que você acha do trabalho do Pequeno Príncipe?
- Ele não faz o mínimo sentido.
- Mas esse frango tá muito magrinho
- Quer dizer... Ele realmente se chama Pequeno Príncipe?
- Eu ainda estou esperando aquela bisteca!
Enquanto isso a formiga ainda lutava para não ser pisoteada. O show business era selvagem demais para ela, decidiu procurar outras áreas, tentou telemarketing, vendas, informática e até saiu-se bem ajudando em pesquisas sobre nanotecnologia. Hoje sabe-se que ela tem trabalhado numa fazenda de batatas, ganha três centavos por dia e está a apenas um mês de conseguir juntar dez dólares.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Encontro marcado.

Esses olhos claros de cristal, me parece um sair do tempo, parece que tudo parou e só há nós dois. Ah, como o tempo pára. Esses olhos transparentes de cristal. Parece-me, o universo é de um imenso branco leitoso, nós sobre um infinito vidro a nos encarar. Se eu estendo a mão eu sinto que posso tocar o nada, mas se não toco, sinto o vazio de que nunca irei nem ao menos estar próximo desse horizonte de papel onde nossos corpos se desenham. Esses olhos claros. Eu dou o primeiro passo e flutuo sentindo que posso transpassá-los, e posso.

Não há vertigem, não há prazer, o sentimento de estar suspenso, subir, descer, não há. Tudo aqui é horizonte, muito o que eu possa ver, flutuando no espaço, ao longe estrelas morrem e nascem, passam aqui e ali ao meu lado algumas esferas de pedra floridas, alguns cardumes de luzes...mas tudo é horizonte.
Do horizonte se descola uma estrela, balança devagar como se percebesse possuir a liberdade, meio círculo a direita, meio circulo a esquerda, um rodopio e me vê. Do infinito onde eu jamais chegaria, ela vem a caminhar, passos tímidos, tomando forma e me alcança. Por entre esse imenso brilho uma silhueta de mulher, pelo seu apagar, na altura do meu rosto, suas sandálias cor de vinho escuro subindo e se enroscando pela perna morena até uma longa saia rodada de veludo azul enfeitada com estrelas de papel laminado meio soltas como numa fantasia feita a mão. Minha estrela mulher segura uma rocha de flores amarelas que passeava devagar às suas costas e senta a me olhar, sorrindo:
- O que você acha que está acontecendo?
Ela me pergunta contando alguns fios dos longos cabelos escuros, a mesma cor dos olhos, que eu confundo com o céu pulsante ao redor, começo a achar que de seus cabelos se trança o tudo que eu vejo.
- Aqueles olhos claros de cristal...
Ela continua:
- Tinha esperança de que você entendesse.
- Eu nunca fiz questão de fazê-lo
- Não faça, não precisa.
- É que a ignorância...
- Isso, a ilusão.

Faz-se um silêncio, que eu quebro:

- Por que você...
- Tinha esperança...
- Sim, mas eu não sei.
- Foram tantas eras até aqui.
- Você veio de muito longe?
- Do seu horizonte.
- Eu sei. Sabe onde estamos?
- No meu horizonte.
- Eu sei... pergunto sem querer muito saber. Acho que só quero falar.
- Eu não quero voltar.
- Eu quero ficar.

(silêncio)

- Você acha que temos tempo?
- Eu sinto que vou morrer.
- Como é isso?
- Não sei descrever, ninguém sabe.
- Ninguém pode.
- Mas eu sinto muito a morte.
- Você já morreu muito?
- Talvez essa seja a primeira vez.
- Talvez você nunca tenha sentido.
- Talvez esteja sentindo errado.

Calamos e ela olha para o longe:
- Eu te amo.
- Eu quero te amar.
- Vem comigo?
- Até onde?
- Eu não quero deixar o seu horizonte.
- Eu vou.
- Vai demorar eras.
- Eu vou.

Eu abro os olhos flutuando sob o mar de lençóis brancos, sobre a cama branca, vejo o teto branco.
Os olhos fechados ao meu lado, claros como cristal, se abrem ao sentirem os meus:
- Eu não te amo mais.
- O quê?
- Preciso ir, preciso de eras até chegar.
- Chegar? Onde?
- Meu horizonte.
- Você volta?
- Se eu olhar pra trás...
- Não vai mais ver de onde saiu.
- Tudo desmorona a todo redor...
- Tudo se transforma.
Dos olhos ao teto, à janela, um longe, horizonte, ainda cintila a última estrela da manhã.

"Eras..."

terça-feira, 17 de março de 2009

As Cicatrizes

Vinicius olhou-se no espelho. Marcas no rosto. Rugas e nódulos. O corpo doía. Ainda era jovem, não precisava daquelas rugas. Não deveria tê-las ali escondendo sua juventude. Os nódulos, esses sim, eram necessários. Necessários para demonstrar a sua masculinidade. Testosterona. Ninguém o faria de idiota. Isso nunca, ele não admitiria. Se alguém tentasse, pagaria caro. Pagaria com sangue. Derramaria vida. Apertou o tubo de pomada cicatrizante. Precisava curar aquelas feridas. Logo teria outras, aquelas precisavam sarar. Sarar antes que reabrissem. Era bem mais dolorido quando isso acontecia. Feridas reabertas não gerariam cicatrizes novas. Não gerariam um novo orgulho. Uma nova historia? Talvez. Mas quase sempre nem eram notadas, eram confundidas. Não era casado e nem precisava ser. Afinal, quem precisaria? Vivia melhor daquela maneira. Solteiro. Tinha alguns relacionamentos. Nenhum era especial. Nenhum o envolvia, o preenchia. Quando precisava de sexo, tinha alguém. Sempre teve. Pago ou não, teria o mesmo efeito. Já havia se apaixonado muito tempo atrás. Nome? Não era difícil de lembrar. Aquela mulher deixara cicatrizes importantes para lembrar. As melhores historias para contar. Linda era seu nome. Mas, depois de tantos anos, lembrar dela era reabrir cicatrizes. Desperdício de sangue. Desperdício de tempo. Não choraria por ela. Não sentiria sua falta. Não lamentaria. Se estivesse com ela, não faria a menor diferença. Assim ele queria acreditar. Assim era melhor. Sem perguntas a si mesmo. Sem duvidas. Verdade ou mentira? Nem ele sabia. Nem ele mesmo se conhecia. Estava cansado. Havia trabalhado mais que o normal. Os olhos pesavam. Precisava dormir. Mas antes precisava escovar os dentes. Checá-los um a um. Algum poderia estar faltando. Na última briga, entre xingamentos e chutes, dois, talvez três, socos acertaram seu rosto. Deveria tomar mais precaução. Queria cicatrizes e não, ficar desdentado. Vestia-se. Blusa cinza. Cueca preta. Duas cirurgias pela manhã. Dois pacientes e nenhum nome. Não se preocupava em saber. Não estava sendo pago para memorizar nomes. Era até melhor que nem soubesse. Assim seria mais profissional. Menos envolvimento, menos conversa e mais trabalho. Quanto mais trabalhasse, mais dinheiro receberia. Mais dinheiro, mais analgésicos, mais pomadas, mais cicatrizes. Seu raciocínio estava cada vez mais lento. A cabeça doía. Precisava dormir. Precisava esquecer das cicatrizes, da solidão, de Linda, do trabalho... Assim conseguiria dormir. Assim amanheceria logo e de manhã só lembraria do trabalho. Duas cirurgias. Mas naquele momento só precisava esquecer. Precisava relaxar. Deitou-se. Estava sonolento. Esqueceu-se de tudo o que tinha pra fazer. Esqueceu-se das cicatrizes, da solidão. Só não conseguia esquecer de Linda. Vestido branco. Unhas vermelhas combinado com o batom. Mulher e diabo. Unhas compridas arranhado suas costas nuas. Demônio que o assombrava. Envolvia-o. Confundia seus pensamentos. Sentimentos? Talvez, talvez. Olhos castanhos, cabelos ruivos. Pele clara. Desbotada. Pálida. Lagrimas escorriam pela sua face, molhavam o travesseiro. Ele não sabia porque chorava. Soluçava. Gritava. Adormecia.

There There

Na escuridão total
Eu vou andando na
sua paisagem
Galhos quebrados
tropeçam em mim enquanto eu falo
Só porque você sente isso
Não significa que está lá
Há sempre uma sereia
Cantando para que seu barco naufrague
Navegue para longe dessas rochas
Nós seríamos um desastre ambulante
Só porque você sente isso
Não significa que está lá
Por que tão imaturo
e solitário?
O Céu me mandou você
Nós somos acidentes
Esperando para acontecer


Eu qria ter escrito isso!!! ueuehuheuehueheu XD~~~~~~~~~~~~

sábado, 14 de março de 2009

Sorriso de Mulher

O sorriso. Algo tão trivial. Quantos sorrisos nós podemos ver por dia? Por semana? Por mês?

Mas eu pergunto, e quero ver quem ousa responder: Quantos têm a sinceridade da própria verdade? Quantos sorrisos, de fato, te fazem sorrir junto, mesmo você naquele triste dia em desalento? Quantos sorrisos não são um mero alargamento dos lábios com uma exibição gratuita de dentes?

Eu sou impetuoso e respondo. Quase nenhum. Raros. Raríssimos.

Quantos sorrisos te permitem ver que ainda existe algo de admirável no cerne das pessoas?

Esse é ponto mais difícil. Como pode um sorriso ser tão franco e arder tanto ao plano de fazer você esquecer-se da beleza exterior de uma pessoa?

Falar de belas feições é fácil demais. Descrever o quanto uma mulher linda é linda, é quase uma tarefa de criança. Discorrer uma declaração, registrar um poema, escrever um romance inteiro baseado apenas em uma irresistível aparência não te dará grandes créditos, salve-se por um extenso vocabulário, mas beleza é algo que todos vêem, apaixonante para qualquer um, basta que possua olhos que funcionem bem.

Muitas vezes a beleza exterior encobre a beleza interior para quem vê e ainda mais para quem possui.

Mais difícil que não se perder por ser belo e preservar a própria formosura interior, é encontrar um indivíduo que admire essa formosura, esse encanto íntimo, profundo e fascinante, acima de tudo, encontrar alguém que valorize esse que é o atrativo mais verdadeiro existente, e que não se deixe cegar pelo que é fácil de ver.

A beleza, em suas diferentes formas, é algo que, sinceramente, me encanta absurdamente. Mas sou alguém que contempla o etéreo, e prefere sentir ao invés de ver.

Inclusive um extenso e suntuoso sorriso de mulher.

sábado, 7 de março de 2009

Dia qualquer

Não sei porque escrevo. Na verdade, nem sinto mais aquela louca vontade de sair rabiscando o papel (qual papel?), talvez por ter a exata presunção de que o que escreverei causará espanto, dor, algo magnânimo. Não posso ouvir grandiosos comentários por saber que ao ouvi-los tenderei a estagnar ao satisfatório do meu ser. Não sei se escrevo para mim, para o outro, para ser, para chamar a atenção (minha? sua?).
Tudo começou quando passei a esperar. Esperar vir algo grandioso dentro de mim para vender. Algo grande (realmente). Algo que tivesse força suficiente de atingir a qualquer um que, por acaso, topasse no caminho. Esse pensamento ainda me é vivo. Porém não creio mais que minha barreira seja por causa da conseqüência de minhas "poderosas" palavras. Creio que parei de escrever por sentir que dentro de mim se precisava exteriorizar e que existe tamanhas profundezas e arranhões, tamanhas controvérsias, sem qualquer noção e sabendo desse gigantesco paraíso, na minha ânsia de escrever, na minha ansiedade de ver, acabava perdendo, passando por cima de misteriosos detalhes. Então, em vez de preenchido, vazio ficava. Achando estar certa no caminho que seguia, não degustava cada palavra. Ansiava o desfecho sublime, somente. De repente, parei. Tive que voltar para algumas palavras. Entender não vem ao caso. Tive que encontrar possíveis segredos. Deu medo. Eu que nunca me contei nada não queria ver tamanhas atrocidades que guardava dentro.
Ainda não sei porque escrevo. Perco fácil a vontade por não ter paciência suficiente de escrever por mim, de construir. Reproduzo aquilo que me foi bonito aos ouvidos. Porque para mim, o querer é uma incógnita. Ir pelo gosto, cheiro e gesto do outro me é tão mais fácil. Se ele gostou de alguma coisa, também gostarei. Se é para ser copia, também copiarei. Mas a mim é preciso querer também. Não mais ser esse piolho nocivo de cabeça em cabeça. Piolho oco cheio de sangue do outro. Mudar toda essa fôrma de espelho não me é fácil. Não sei querer.
Prefiro conviver com pessoas que a mim são diferentes e falam sobre o que não entendo do que me ouvir de verdades já tão óbvias e desgastadas. Não me confio. Então, me fiz de verdade outras palavras, pelo menos me inibia do jogo e caso houvesse controvérsias não precisaria me pronunciar e defender.
Nunca pensei que fosse verdade. O pior é tentar se mostrar e ver que é mais uma máscara. Cansei.
Em mim, não há lógica por não saber o que quero. Portanto, não sei porque continuo a escrever.

- Não sei porque escrevo.
- Escreva sobre isso.

sexta-feira, 6 de março de 2009

quarta-feira, 4 de março de 2009

Triste meio sem fim

Triste meio sem fim, com um começo estranho. Entre fios de cabelo e saliva uniam-se. Suas mãos separadas. Encontradas ao próprio corpo. Contidas ao próprio eu marcado nas paredes e no teto. Tanta individualidade espalhada em vão que acabara junto de alguém. Tanto sofrimento em vão que começara desde o momento em que a espuma se formou junto com um líquido céu instável de cores confusas.
Dor. Aprofundada em beijos e promessas. Aumentando centímetros de uma solidão jamais notada. E porque seria solidão transformada em beijos se não estava mais só. Não entenderia aquilo. Não entenderia que amor não existiria dentro de tanto egoísmo. Não entenderia o quão egoísta é o próprio amor. Amar seria mais doloroso depois de palavras. Amar era mais incompreensível aos seus lábios depois de ter provado dos lábios dela.
A pior solidão de todas era aquela que se fazia presente no agora, no antes. Degustada de maneira lenta e consciente. E a consciência era o seu medo maior. Nada lhe confundia quando estava entorpecido com o seu ego. Nenhum sentimento era consistente ao ponto de lhe causar sensações como aquelas. Entorpecido. Não se abalava com beijos. Fazia promessas em vão. Dedicava seu tempo ao seu reflexo.
Dono de uma lucidez duvidosa. Dedicava tempo aquela mulher. Dedicava mais que segundos aos olhos de um outro alguém. Seria amor? Um amor incompreensível que era sentido de forma estranha. Forçado. Forçado para que o seu eu, fosse visto de maneira mais humana. Sentimental. E se não fosse amor ao próximo, que fosse amor próprio. Se não fosse amor, era melhor nem pensar nisso. Seria designado a amar de alguma forma, a quem quer que fosse. Seria melhor que solidão engarrafada em vinho num sábado a noite.

segunda-feira, 2 de março de 2009

hematoma de batom

E quando derrubam a porta da frente
como você responde?
Uns saem com as mãos na cebeça,
outros com o dedo no gatilho

Quando o seu amante chegou ontem
e seus beijos não foram suficientes
você se arrepende na hora do banho
ele vai se arrepender por muito mais

Porque uns machucam
uns deixam marcas
ela dispara palavras,
eu tapo buracos.
Uns machucam, alguns marcam
outros até nos apertam o coração
mas na última faixa do disco
alguém tem de por as cadeiras nas mesas
e apagar a luz.

Objetivo!?

Tenho a escrita furiosa. Inconsciente, inconseqüente e deturpada. As palavras demoram a cair, e quando caem, permanecem imóveis, são pesadas, mortas, sem as grandes contribuições que um desabafo, por mais miserável que fosse, tivesse a obrigação de me proporcionar.

Chega. É o limite. Não vejo objetivos, não vejo destino, eu não posso enxergar mais nada. É o fundo do poço. O ápice da minha decadência. Se eu cair mais um pouco volto ao inferno, lugar que eu jurei nunca mais voltar. Ocioso, ocioso... No amor, nas virtudes e na vida que um dia eu sonhei em ter.

Tenho a escrita pobre. Inconveniente, incompetente e arrastada. Tortuosa. Sinto o vazio das palavras vazarem por entre os meus dedos trêmulos, desastrados e medrosos. A vida que antes urrava e se deliciava com os delírios de fortuna, agora bebe e traga a melancolia da leviandade.

Por obséquio!
Me sirva mais um copo cheio.

Vou me embriagar de desespero mais uma vez. Tentar fazer meu orbe girar sem o menor sentido, quem sabe caio na órbita certa?

Sou como uma criança. Frágil.

Depositado por entre os lençóis frios, no cume da escuridão da noite. Sem nenhum acalanto. Não que fosse sentir saudades de algo que não fez parte do meu sono, mas, de certa forma, desprovido de segurança. Desesperado, com medo do perigo iminente, que me cerca, me provoca, me acerta na cara, exigindo uma reação que não posso desempenhar, porque sou como uma criança. Frágil.

Retire a minha máscara com suas mãos suaves. Ofusque o brilho forjado dos meus olhos com o fulgor do seu semblante. Quebre meu sorriso tecido pela minha camuflagem com um beijo terno e me devolva à vida.

Eu só quero um desígnio, pelo qual eu anseie continuar a enfrentar tudo isso.

domingo, 1 de março de 2009

Angústia

Em apenas alguns instantes, estaria imersa novamente naquela sensação. Eram apenas instantes que passavam fazendo tic-tac. O céu do quarto seria escuro com sinos a badalar. Chamando. Melhor, céu não haveria; sinos, muito menos. Era apenas silêncio transformado em tic-tac. Não haveria badaladas. Não haveria anúncio de nada. Nada aconteceria durante aquele infernal momento.
Tic-tac. Estou imersa nele. E ele parece o mesmo. Angustiante, repetitivo. Logo a sensação de que aquilo será eterno me preenche. Logo sinto que não existia antes, que não existirá depois. O agora se torna eterno, não há mais tic-tac. Tudo é silêncio. Tudo é confuso e tão claramente ofuscante. Não ouço nada. Não sinto nada, além da minha respiração. E logo isso me parece artificial, como se tivesse sido forçada a respirar. Meus pulmões se enchendo de ar, involuntariamente forçada, esse respirar me deixa sem fôlego. Tonta me sinto, olhando para o negro que agora flutua sobre minha cabeça. Parece não haver mais nada além dele. Até eu faço parte desse negro que me rodeia. Faço parte desse pequeno teatro as escuras. Sou a marionete. Sou o boneco que balança conforme a vontade dele. Sou o algo que se situa entre o agora e o nunca. E não existo. Sou apenas essa respiração forçada, ofegante. Sou apenas pulmões funcionando forçadamente. Não me sinto mais. Não existo mais. Só a cheiros, gostos, sensações. Logo o que rodeia me preenche e me faz ser alguém. Sensações combinadas, formando estímulos a comando de um cérebro que responde involuntariamente, forçadamente. Não passo de órgãos trabalhando contra minha vontade. Sou tato, olfato, paladar, audição e visão. Não sou nada.

Pose

De que maneira
que diferença
com que pele eu saio presses espelhos?

Até quando
Por quanto tempo
Que diferença?
Se eu falo
se eu não me calo
se eu tento
nenhum alento ou eu passo
do seu olhar.

Eu ando
vista no chão
cabeça e vendo
na folha amarela
na pedra
que eu tropeço
no papel
que eu passo os olhos
que eu não entendo
que eu finjo
você inveja
eu temo pela verdade, pela teoria

O muro
a marca de pés
a nossa dança, nosso sorriso
o botão
o satélite
a transmissão
o fim.

nostálgico alíenígena subterrâneo

"Um sopro na manhã
e eu continuo esquecendo
o cheiro do ar quente de verão.
Eu vivo em um lugar onde não se sentem muitos perfumes
e você tem que olhar onde pisa.
Há rachaduras nas calçadas.
E lá no alto
alienígenas flutuam
fazendo filmes caseiros para os companheiros que ficaram
sobre todas essas estranhas criaturas que trancam seus espíritos
fazem buracos em si mesmas
e vivem por seus segredos
elas são...
tão tensas.
Eu queria que eles descessem aqui
numa dessas estradas
nessas madrugadas em que eu viajo
e me levassem a bordo naquela nave brilhante
e me mostrassem o mundo
como eu sempre quis ver.
E eu contaria aos meus amigos,
mas eles nunca acreditariam em mim.
Diriam que eu finalmente perdi todo o juízo
e eu os mostraria as estrelas
e o sentido da vida
eles me mandariam embora
mas eu ficaria bem.
Nós somos apenas... Tão tensos"

Thom Yorke

Da vida das coisas

O fio se estende no ar sem um ponto de chegada. Ou de partida, não se sabe ao certo. Como as escadas que levam ao nada nos cantinhos das praças recém construídas.
E durante aquele instante o fio saía de um poste sem chegar a outro, sem chegar ao chão nem a nada que o mantivesse ali, suspenso feito braço e mão e dedo de moça, apontando o vazio azul do céu de meio dia. Por um instante, um breve instante. E manteve a pose, como criança que espera a reação à arte, como penteado novo, num orgulho que apenas espera, sem pedir, o elogio.

Por um instante, um breve instante.

E veio o menino e catou a bola fujona.
E passou o moço com a gravidade nos olhos e o olhar no chão. As pessoas cruzam com o amor, mas nem sempre o cumprimentam.
E passaram os pássaros num bater cansado de asas.
E passou a brisa atrasada.
Passou o silêncio.
- Desista. Gritou a folha seca e amarela do chão. – Eu voei daquela árvore e ninguém notou.
- Desista. Suspirou a pedra. – Do tempo eu tanto sei e ninguém, nunca, perguntou.

- Desista. Sussurrou o céu.

E o fio deitou no chão como o sorriso desacompanhado que se fecha.

E o instante, num breve instante, se perdeu.

Os passarinhos fracos

-Não, eu não sei se vai funcionar.
Bom, das outras vezes funcionou, sabe como é né? O eterno retorno e tudo o mais. Se deu o mesmo problema é porque está pedindo a mesma solução. E eu não vou nem pensar em criar nada melhor, nada se cria mesmo, se tudo se repete então pra que essa briga toda? Esse filme é repetido mas até que é bom. Tem comédia, romance, aventura, é pra todas as idades. Oras, é Disney! Será mesmo que eles pensam que alguém gosta daquele rato? Ah! Mas não é rato. É camundongo. A verdade é que eu nunca conheci ninguém que diga ser fã dele. Acho que até o pluto tem mais capa de caderno. Enfim... é aquela coisa do marxismo. Queriam inventar um bonequinho simpático com quem todo mundo se identificasse. Daí eles criam um rato.
- Não, eu não sei o que eu estou fazendo.
Não que eu esteja dizendo que todo mundo deva odiar a Disney, boicotar a Coca-cola e virar vegetariano, pra mim nada consegue superar um bom churrasco e as propagandas de natal da coca são sempre emocionantes sem falar que aquele filme da Alice ainda é um marco no psicodelismo. Sei lá...é um caso a se pensar, afinal rato é rato, o yoda é um E.T. feio que fala errado e o homem aranha não passa de um “nerd” de sorte. Valorização da fraqueza. É ter uma espinha no meio do nariz e dizer que é charmoso. Isso não é normal, decididamente não é normal, os galãs hollywoodianos estão ficando cada vez mais feios, tem gente trocando Tom Cruise por Jim Carrey. Na natureza os passarinhos fracos não voam, caem do ninho e morrem, enquanto isso as livrarias estão cheias de galinhas ricas escrevendo sobre as próprias asas quebradas. Talvez Hitler não estivesse todo errado com os extermínios. Aliás, o pior erro dele foi mesmo aquele bigodinho ridículo. Eis a diferença entre Hitler e o James Bond. O bigodinho.
- Não, eu não vou mais tentar.
Grande! Agora eu vou pintar uma suástica nos peitos e sair por aí cuspindo nas pessoas. Era só o que me faltava mesmo. Dar algum crédito a um bigodinho daqueles. Logo eu, que sempre fui uma mulher que me levantei contra essas atrocidades.
- Não, eu não vou embora.
Eu vou a cozinha, eu vou ao banheiro, eu vou ao céu e às estrelas. Nada. Eu vou mesmo é a lugar nenhum, vou ficar aqui e resolver meus problemas, mesmo que da forma mais difícil. Claro que antes eu vou tentar a mais fácil de novo.
- Não, eu não vou desistir.
Eu tento, eu luto, eu penso em apelar pros santos. Eu uso tudo de mim, tudo ao meu redor. Tento o possível e o impossível.

Eu fracasso categoricamente.

- Não amor, eu não consegui.
Ele começa a se desesperar, e meu amor não suporta. É hora de tomar uma decisão.
- Amor... eu sinto muito, de verdade...
Eu quase choro.
- Mas acho que você vai ter de levantar e mudar de canal na TV mesmo. Acho que esse controle remoto não tem mais jeito.

Lágrimas, comunismo e catchup

Chorei, e daí? Tantos choram. Ninguém chora como eu, tudo bem, mas todos choram, tá na moda e faz bem se acompanhado de tai chi chuan nas manhãs de domingo, eu é que detesto auto-ajuda. Todo mundo chora. Tudo bem, ninguém como eu, não como você. Ninguém come você e por isso você chora. Não come ou come mal. Sabe? Às pressas, sem molho, sem cerveja, com muito suor, pouco sangue e, ultimamente, quase sempre sem lágrimas. Ah, deve ser bom comer com lágrimas. Mas é caro,requer dinheiro e eu estou sem tempo. Sem tempo como um relógio quebrado, ou mesmo roubado. Me roubaram dia desses. Pediram-me um celular e levaram um relógio quebrado. Agora estou sem tempo, sem dinheiro e sem lágrimas. E com fome, muita fome, mas me recuso a comer sem molho, serve catchup mesmo, pelo menos é vermelho. Uma comida comunista, dizem que elas são lésbicas e comem mal, ainda por cima, não se dão muito com lágrimas. Nunca comi uma comunista, deve ser raro nesses dias ociosamente consumistas, ah uma comunista genuína...deve ser um prato caro. Estranho. Devia ser de graça. Pago pelo estado. Imagine. Comida comunista pra todo mundo. Capitalismo é uma droga mesmo, e das que viciam. Comunista de verdade só fuma maconha, protege a natureza e odeia o natal, o que não faz do Grinch um comunista, ele é verde, igual ao Martin Luther King.

Ah. Chorei. E quem se importa? Comunistas lésbicas e maconheiras sujas de catchup são mais interessantes. Também acho isso, sinceramente. Mas quando não houver nada melhor pra fazer ou comer ou mesmo masturbar (com catchup ou sem) lembre-se, eu chorei, pouco importa quem mais chorou. Mas dessa vez não foi diferente e não houve nada de especial, tantos choram...