"[...] De qualquer forma, ele era de muitas formas uma das pessoas mais valorizáveis para mim e, em todos os momentos precedentes às doze horas meridionais, era uma das criaturas mais rápidas como também das mais firmes. Cumprindo uma grande quantidade de trabalho em um estilo não fácil de ser imitado. Por essas razões eu estava disposto a fazer vista grossa às suas excentricidades, embora ocasionalmente eu de fato tivesse alguma discussão com ele. Feito isso de forma muito sutil, no entanto, pois sendo de grande civilidade, aliás, o mais meigo e reverencial dos homens durante a manhã, durante a tarde tinha grande inclinação, se provocado, a ser um tanto quanto inconsequente com sua língua, insolente, em palavras inteiras. Agora, vendo, como vejo, o valor de seus serviços matinais, e decidido a não perdê-los; ainda que, ao mesmo tempo, sentisse o desconforto de suas maneiras inflamadas pós meio-dia; e sendo eu um homem de paz, despretencioso em minhas admoestações de trazer futuras retrucas de sua parte, decidi-me, de minha parte, em uma tarde de sábado (dia em que ele tornava-se pior) a sugerir a ele, muito gentilmente, que talvez, agora que ele parecia estar envelhecendo, podia ser uma boa idéia diminuir seus serviços, em suma, que ele não precisava vir às minhas câmaras, e após a refeição, poderia descansar até a hora do chá. Mas não. Ele insistiu em suas tarefas. Seu semblante tornou-se intoleravelmente vívido quando assegurou-me, de forma articulada - gesticulando com uma longa régua do outro lado da sala - que se seus serviços eram úteis durante a manhã, quão indispensáveis não seriam durante a tarde?[...]"
Herman Melville
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
domingo, 10 de janeiro de 2010
Idioteca II
Aqueles anjos que tocam trombetas,
eles vão sentar no sol
e tocarão todo o repertório do sagrado e do pagão.
Aquela rosa que nasceu no asfalto
imaginava que o jardim a seguiria
e não apenas o olhar do poeta
ela morrerá sozinha.
não é que meu passo seja largo
é que eu não piso nas rachaduras da calçada
eu não tenho pressa de chegar
eu nem queria ir.
A banda vai passar.
Uma centena de soldados de chumbo
subindo a rua que atravessa o canal.
batendo baquetas imaginárias
acordando todo o bairro residencial.
A lona vermelha vai ser armada na avenida
ocupando o cruzamento,
com os braços da mulher barbada, a boa vontade dos siameses e os olhos do buldogue perneta.
A entrada é cobrada em cruzeiros
o show é improvisado
e as fotografias devem ser tiradas sempre em preto e branco e sérias feições.
eles vão sentar no sol
e tocarão todo o repertório do sagrado e do pagão.
Aquela rosa que nasceu no asfalto
imaginava que o jardim a seguiria
e não apenas o olhar do poeta
ela morrerá sozinha.
não é que meu passo seja largo
é que eu não piso nas rachaduras da calçada
eu não tenho pressa de chegar
eu nem queria ir.
A banda vai passar.
Uma centena de soldados de chumbo
subindo a rua que atravessa o canal.
batendo baquetas imaginárias
acordando todo o bairro residencial.
A lona vermelha vai ser armada na avenida
ocupando o cruzamento,
com os braços da mulher barbada, a boa vontade dos siameses e os olhos do buldogue perneta.
A entrada é cobrada em cruzeiros
o show é improvisado
e as fotografias devem ser tiradas sempre em preto e branco e sérias feições.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Este é...
...um trecho do que pretende ainda continuar andando, convido e agradeço a quem quiser caminhar junto. =)
Quantos nomes de barcos não naufragados você é capaz de listar? Faz algum tempo que tenho navegado por aqui e me pergunto se um dia alguém irá mover águas para buscar algum tesouro que, por acaso do meu presente futuro, eu possa vir a guardar. Alimento-me de estórias, histórias e lembranças. Minhas, suas, dos que me guiam. Do que encontro e do que vou de encontro à. Há arranha - céus sob mim e, sob eles, casas, e sob as casas, ao redor e dentro e entre as casas e arranha - céus, pessoas. Há pessoas sobre mim e sobre as ruas que estão sob as casas. Há pessoas em cada poro dessa terra. Ouvi dizer que sempre haverão pessoas onde houver vida e se não houver vida, pessoas trarão pessoas. Por um tempo, senti o toque da água logo aqui embaixo mim. Deslizando por minha barriga e me fazendo cócegas, mas aprendi a voar antes que ,como todos o outros barcos, eu me tornasse insensível. O tempo cobrou a razoável quantia de um ano para preparar-me para o vôo, muitas páginas aconselharam com o que sabiam e na maioria das vezes, sabiam apenas as outras páginas que deveriam saber de verdade. Todos os princípios importantes da aerodinâmica foram postos à prova e à prática. O pensamento positivo, a lembrança feliz, a magia do natal e, claro, os balões coloridos de hélio. E fizemos questão que de todos os três trilhões, setecentos e catorze balões, nenhum possuísse uma cor repetida, para garantir que o vôo não seria prejudicado pela ausência de tonalidades. O pensamento feliz parecia suficiente para me tirar do mar, mas não para manter-me nas nuvens. A essa altura dos estudos, quase toda atual tripulação estava presente, cada um com suas razões, poesias, fugas, curiosidade e loucura. Mas o capitão ainda não tinha o quepe, que dá todo esse charme ao capitão, seu quepe mágico. No dia do meu primeiro vôo, ele veio a tornar o mar umas três gotas mais salgado, mais profundo, mas não foi o único de olhar alterado. Chamo-me Esperanza e nem sempre uso a correta colocação pronominal. Tenho esse nome não escrito, mas colado em meu casco, com letras feitas de papel de jornais, revistas e de uns posters de cinema antigos. Esperanza com os olhos da Audrey Hepburn no “z”.
Quantos nomes de barcos não naufragados você é capaz de listar? Faz algum tempo que tenho navegado por aqui e me pergunto se um dia alguém irá mover águas para buscar algum tesouro que, por acaso do meu presente futuro, eu possa vir a guardar. Alimento-me de estórias, histórias e lembranças. Minhas, suas, dos que me guiam. Do que encontro e do que vou de encontro à. Há arranha - céus sob mim e, sob eles, casas, e sob as casas, ao redor e dentro e entre as casas e arranha - céus, pessoas. Há pessoas sobre mim e sobre as ruas que estão sob as casas. Há pessoas em cada poro dessa terra. Ouvi dizer que sempre haverão pessoas onde houver vida e se não houver vida, pessoas trarão pessoas. Por um tempo, senti o toque da água logo aqui embaixo mim. Deslizando por minha barriga e me fazendo cócegas, mas aprendi a voar antes que ,como todos o outros barcos, eu me tornasse insensível. O tempo cobrou a razoável quantia de um ano para preparar-me para o vôo, muitas páginas aconselharam com o que sabiam e na maioria das vezes, sabiam apenas as outras páginas que deveriam saber de verdade. Todos os princípios importantes da aerodinâmica foram postos à prova e à prática. O pensamento positivo, a lembrança feliz, a magia do natal e, claro, os balões coloridos de hélio. E fizemos questão que de todos os três trilhões, setecentos e catorze balões, nenhum possuísse uma cor repetida, para garantir que o vôo não seria prejudicado pela ausência de tonalidades. O pensamento feliz parecia suficiente para me tirar do mar, mas não para manter-me nas nuvens. A essa altura dos estudos, quase toda atual tripulação estava presente, cada um com suas razões, poesias, fugas, curiosidade e loucura. Mas o capitão ainda não tinha o quepe, que dá todo esse charme ao capitão, seu quepe mágico. No dia do meu primeiro vôo, ele veio a tornar o mar umas três gotas mais salgado, mais profundo, mas não foi o único de olhar alterado. Chamo-me Esperanza e nem sempre uso a correta colocação pronominal. Tenho esse nome não escrito, mas colado em meu casco, com letras feitas de papel de jornais, revistas e de uns posters de cinema antigos. Esperanza com os olhos da Audrey Hepburn no “z”.
No samba...
...a nêga é uma ingrata
a Rita é uma puta
Eu, você
e o guarda
moramos na favela.
A felicidade é um carteiro
e a saudade é um cunhado mexendo na geladeira.
a Rita é uma puta
Eu, você
e o guarda
moramos na favela.
A felicidade é um carteiro
e a saudade é um cunhado mexendo na geladeira.
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