segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Albuns.
Voce já sentiu como se uma cicatriz antiga doesse? Ou mesmo uma vergonha passada ainda contraisse sua face? Imagine ainda sentir a dor em um membro anestesicamente amputando. Percebo que por vezes faço planos que acabem por demolir meu castelinho de cartas. Me parece tão pendente agora, ainda que sem parecer ceder nenhum centímetro, nenhum segundo para as fotografias que eu vejo por aí, tão presentes e tão cheias de expectativas que eu não penso mais poder alcançá-las. Você está livre para partir agora, sempre esteve, na verdade. Quem eu quero enganar aqui sou eu.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Um bilhete para N.
Querida complicação,
Porquê deixar aquelas flores exatamente onde estavam, eu ainda não sei, só não me pareceu certo fazer qualquer contrário. daqueles crepúsculos que tinhamos guardado, estou levando o da Emily, por nada além de poder carrega-lo na minha mão. Precisava de alguma luz e você sabe como anda meu astigmatismo ultimamente. O por-do-sol que te deixo é suficiente para dividires com qualquer outro alguém, só evite colocar na geladeira de novo, assim como as bananas e o pão, não vai servir mais para ninguem se não fizer como digo. Quando volto, eu não sei nem se. Estive pensando muito nessa ultima vida alguns "e ses" sobre o mar. E se a água cortasse minhas idéias, e se ela cortasse minhas veias, se ele cortasse minha consciencia, eu estaria livre amanhã? Talvez e se, eu te traga um cavalo marinho e um palhacinho eletrico. Estou levando os poemas de Donne. Não se preocupe, não vou lê-los, mas o amassado me faz lembrar o teu seio pressionado contra a capa enquando você dorme. No mais, não sei nem se. Deixei as melodias das canções de ninar em alguma gaveta. Não me espere, mas guarde meu lugar até a ultima sessão.
te deixo o que houver de melhor fora do meu corpo.
Tua paz.
Porquê deixar aquelas flores exatamente onde estavam, eu ainda não sei, só não me pareceu certo fazer qualquer contrário. daqueles crepúsculos que tinhamos guardado, estou levando o da Emily, por nada além de poder carrega-lo na minha mão. Precisava de alguma luz e você sabe como anda meu astigmatismo ultimamente. O por-do-sol que te deixo é suficiente para dividires com qualquer outro alguém, só evite colocar na geladeira de novo, assim como as bananas e o pão, não vai servir mais para ninguem se não fizer como digo. Quando volto, eu não sei nem se. Estive pensando muito nessa ultima vida alguns "e ses" sobre o mar. E se a água cortasse minhas idéias, e se ela cortasse minhas veias, se ele cortasse minha consciencia, eu estaria livre amanhã? Talvez e se, eu te traga um cavalo marinho e um palhacinho eletrico. Estou levando os poemas de Donne. Não se preocupe, não vou lê-los, mas o amassado me faz lembrar o teu seio pressionado contra a capa enquando você dorme. No mais, não sei nem se. Deixei as melodias das canções de ninar em alguma gaveta. Não me espere, mas guarde meu lugar até a ultima sessão.
te deixo o que houver de melhor fora do meu corpo.
Tua paz.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Enquanto o mundo explode
Dentre tantos corações de casimira, de tantos firmes e calorosos espíritos do leste, eu me sinto de um outro tecido. Incerto, frio e sombrio. Para dias quentes. Algo barato, fácil. Dentro do comum. A vida teceu assim, sem apresso ou preocupação, com uma mão cansada. Como uma mãe cansada, uma mãe mecânica, entediada.
superestimadas são a vida e as mães.
Por mais que eu me engane e traga o céu com colagens, misturas e cores, eu não sou muito mais que uma sombra, uma visão do apocalipse, um acidente que não vai acontecer. Enquanto colo nuvens e te traduzo em linhas e letras no papel, seus olhos não encolhem e seu ar não se altera. Eu vejo gelo derreter dentro do copo, mudo gotas de lugar, brinco de manchas de feixes de luz. Esfrio para ponteiros ainda movidos por calor.
no fim, eu não quero mesmo que o tempo passe.
superestimadas são a vida e as mães.
Por mais que eu me engane e traga o céu com colagens, misturas e cores, eu não sou muito mais que uma sombra, uma visão do apocalipse, um acidente que não vai acontecer. Enquanto colo nuvens e te traduzo em linhas e letras no papel, seus olhos não encolhem e seu ar não se altera. Eu vejo gelo derreter dentro do copo, mudo gotas de lugar, brinco de manchas de feixes de luz. Esfrio para ponteiros ainda movidos por calor.
no fim, eu não quero mesmo que o tempo passe.
domingo, 11 de outubro de 2009
poeira púrpura.
o tom de uma canção
púrpura feito lua sobre sol
espera-se partir no amanhecer
e eu não conheço mais nada
cada último segundo
é mais um pingo
em mais um i
dedicado a alguém
que não você
que nem a mim.
um.
sentido.
morrer.
púrpura feito lua sobre sol
espera-se partir no amanhecer
e eu não conheço mais nada
cada último segundo
é mais um pingo
em mais um i
dedicado a alguém
que não você
que nem a mim.
um.
sentido.
morrer.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Subterrâneo II
well i'm scared of riding a falling star.
but I got time, if you call me I can't deny.
and I want to go back home,
I just don't know what to do
with my haste
and nothing
and useless time
to keep a pace
with something
but warning signs
can I want just to stand by
and never play the part
of a never landing guy
if we're better than we've ever pretended to be
what I ask and wonder is why
what I ask and wonder is why
what I ever wonder is why...
Alguma coisa caía morta naquela noite. E ninguém tinha nada a ver com isso. A filha de alguém, o problema de alguém e ninguém tinha nada a ver com isso.
Ao redor da mesa uns quatro, cinco universos passageiros. Jogado sobre ela apenas o mais absoluto conjunto de existencias. Imateriais e vazias. Vestidinho colorido, de retalhos quadriláteros. Dois, três centímetros de lado. Vermelho, roxo, azul,vermelho, amarelo, vermelho. "TV set", "68", "warhol", "peace", "love", "war". Azul, amarelo, vermelho. Os outros eram apenas all stars e camisetas brancas e aros grossos, essas coisas. Das coisas que se odeia, dos absurdos que se vê, que se ouve.
Acontece que pessoas falam e isso dói e dor não pensa, só responde.
Siga olhar, acompanhando a fumaça, subindo ao reino dos céus, condensando sob o disco voador, o alienígena bipolar com lápis e papel na mão estudando a síndrome de tourette, a linguagem, a realidade. Por um módico, simbólico sacrifício pode-se estacionar sobre a terceira nuvem a esquerda, sob os olhos, as preces e flanelas dos anjinhos cacheados, ao lado direito de deus. Acima disso, não se sabe, liberdade talvez. Uns quadros da Marilyn pendurados nos macacos, comidos por morangos de saia. Muito mais que isso, tudo com lasers. Acima de deus e de toda moral da história apenas japoneses dançando can can para cadeiras sorridentes num deserto de jujubas, debaixo de um escaldante céu de metáforas sanguinolentas e sádicas, empilhadas ao final de uma esteira industrial. Acima da janela do apartamento divino mora apenas um sorridente e solitário livre arbítrio.
através das lentes extraterrenas estou eu trabalhando na árdua tarefa de desviver, passando o tempo com o tempo e a TV, brincando de quem piscar primeiro. Eu queria um Dali aqui. Na minha parede.
No mais, aqui eu fico. Porque, com todo o coração, eu quero.
Eles lá vão. Porque, e nada além de porque, podem, nada mais.
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