Lá de cima
Eu quero ver se dá
Algum trocado entre a placenta e o caixão.
Se eu pudesse filmar
Você faria um documento
E preto e branco
do seu melhor perfil
seu ponto de mutação
seu ponto de direção
sua
unidade
relativa
seu ponto de vista
Que será...
quando crescer
Que será...
em dissolver
então
dissipar.
domingo, 25 de outubro de 2009
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Entorpecer
Eu só queria um minuto agora. Sem esse medo constante. Sem esse gosto amargo da dúvida. Sem anseios e náuseas. Alheia a tudo o que me cerca por acreditar que assim será possível. E eu ando tropeçando nos meus próprios pés. E eu sei que eu já tenho dito muito isso. Mas é como me sinto nesse mundo de cinzas. Elas dissolvem nos meus pés fazendo-os tão similares ao chão que já nem sei distinguir, qual dos dois me dá mais instabilidade.
Eu caminho sempre reto, pra não me deixar envolver demasiadamente nas curvas. E tenho medo dessas flores que me hipnotizam aos poucos, que se abrem lentamente. Pétala por pétala. Quando me olha, me sinto assim estranha. E não sei se devo entrar no seu jardim. Porque ele parece muito atrativo e eu tenho as minhas dúvidas do que te atrai. Não quero me arriscar assim, pois teu relógio balança conforme tua música que nunca ouvi. E a tua voz tão perto, me faz soluçar de vergonha.
Sou uma menina. Com olhos curiosos e mãos inquietas. Com pernas grandes demais para os próprios passos. Com passos pequenos ando por caminho desconhecido. Penso em qual porta devo entrar para te encontrar. Penso se irá me convidar para a próxima dança. E me sinto confusa. E me sinto estranha. E te sentir assim tão perto... Nesse curto espaço do tocável intocável, me faz ficar com as mãos gélidas. Perco-me em você e tento resgatar-me em teus braços. Mas o teu cheiro me deixa tão tonta, que chega a ser um crime.
Vou tentando organizar as minhas palavras. Mas elas me escapam antes. Tento te guardar em mim para que não sinta tanto a tua falta quando você se ausentar. Eu te olho e tento gravar cada detalhe teu no meu mundo. Mas quando te procuro nada mais encontro que minha própria estranheza. É apenas meu pequeno mundo. Meu confuso mundo. Meus sentimentos enrolados, como meus dedos nos teus, durante aquele momento em que te tive pelo menos ao meu lado.
E do teu lado me sinto instável, mas segura. Nos teus ombros repousa a minha paz. E repousa o nosso momento. Queria eu que nosso tempo se estendesse, assim preguiçoso. Sem pressa alguma. Com você se estendendo sobre mim. Quem sabe meus instantes se depositem em você. Quem sabe você me fará sentir um alguém mais importante. Nesses dias que me sinto apenas uma flor dentre tantas mais bonitas.
Eu caminho sempre reto, pra não me deixar envolver demasiadamente nas curvas. E tenho medo dessas flores que me hipnotizam aos poucos, que se abrem lentamente. Pétala por pétala. Quando me olha, me sinto assim estranha. E não sei se devo entrar no seu jardim. Porque ele parece muito atrativo e eu tenho as minhas dúvidas do que te atrai. Não quero me arriscar assim, pois teu relógio balança conforme tua música que nunca ouvi. E a tua voz tão perto, me faz soluçar de vergonha.
Sou uma menina. Com olhos curiosos e mãos inquietas. Com pernas grandes demais para os próprios passos. Com passos pequenos ando por caminho desconhecido. Penso em qual porta devo entrar para te encontrar. Penso se irá me convidar para a próxima dança. E me sinto confusa. E me sinto estranha. E te sentir assim tão perto... Nesse curto espaço do tocável intocável, me faz ficar com as mãos gélidas. Perco-me em você e tento resgatar-me em teus braços. Mas o teu cheiro me deixa tão tonta, que chega a ser um crime.
Vou tentando organizar as minhas palavras. Mas elas me escapam antes. Tento te guardar em mim para que não sinta tanto a tua falta quando você se ausentar. Eu te olho e tento gravar cada detalhe teu no meu mundo. Mas quando te procuro nada mais encontro que minha própria estranheza. É apenas meu pequeno mundo. Meu confuso mundo. Meus sentimentos enrolados, como meus dedos nos teus, durante aquele momento em que te tive pelo menos ao meu lado.
E do teu lado me sinto instável, mas segura. Nos teus ombros repousa a minha paz. E repousa o nosso momento. Queria eu que nosso tempo se estendesse, assim preguiçoso. Sem pressa alguma. Com você se estendendo sobre mim. Quem sabe meus instantes se depositem em você. Quem sabe você me fará sentir um alguém mais importante. Nesses dias que me sinto apenas uma flor dentre tantas mais bonitas.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
noir colorido.
Lembrança fotográfica é só o que me resta de tudo que eu faço nessas noites,
afora a náusea, claro.
É coisa de poucos segundos, só mesmo o que não importa. Todas aquelas cabeças por cima dos bancos são só bonecos de teste, mãos movendo-se em flashs, os olhos do anjo na face encardida de deuses. Jogados em pelo menos cinco esquinas. Tudo o que meus olhos viram não é nada comparado ao que minha memória traduz. São tantos horrores e maravilhas, amor. Não gostaria que você estivesse lá. Apenas fique por aqui, apague a luz, aumente o volume e faça amor comigo. Me ouça, meu amor. Me compreenda. Depois me faça sanduíches.
Eu estou aqui pronto para cantar um mundo de irrealidades, minha cabeça cheia, cheia, cheia das mais aterradoras estórias para se contar para os vizinhos e para vocês, mas enquanto isso nossos netinhos estarão lá precisando ouvir os absurdos do real. Apenas por entretenimento. O "seu ninguém" morreu. "nossa", você diz. O "senhor alguém" morreu e isso é apenas entretenimento.
A música é alta e é só o que importa.
porque volume é o que expulsa tudo o que fica preso
nesses all stars
nesses jeans
nesses 98% de algodão penteado.
Nessas cicatrizes.
E é por isso que você não pode me pedir para que eu incomode apenas a mim. Bater a minha porta já é o fim da diplomacia, entre você e eu cavam-se trincheiras atrás de sorrisos. E na minha casa as palavras são disparadas a queima roupa. Eu não baixo o volume nem as armas.
não reconheceria o barulho de tiros se ouvisse.
mas tenho quase certeza que meus vizinhos são baleados
toda semana.
Uma muito boa noite a todos, eu lhes trago lágrimas e balas de goma, na ordem que preferirem. Toda a verdade será jogada nos ventiladores e espirrará em suas faces ao final do espetáculo. E os banheiros são logo ali.
Aceite esta pequena bebida querida N. e a noite descerá mais suave, você vai gostar e no final de tudo, todos nós ainda iremos participar de um churrasco de domingo. Estamentar horas de certezas sobre assuntos que não fazemos a mínima idéia.
Concordaremos
e eu concordo:
tudo é um absurdo.
Costumo passar por cima de muita coisa, pessoa, inseto e buraco, sem grandes épicos sobre. Ainda quero mesmo aprender a guardar o que escuto, não o que vejo. Porque eu não sei desenhar. Mas eu conheci um certo um, certa vez. O homem fazia com a mão, o lápis e o papel, linha por linha, daquele jeito tremido, qualquer coisa que lhe viesse à idéia. E éramos jovens, essenciais, atemporais. Agora um homem não pode mais simplesmente expressar como deus lhe dá o mundo, tem que misturar, colorir, vetorizar, justificar e referenciar. Fazer o seu, o meu e o nosso. Tem que ser infinitivo demais pra mim. Soube que agora ele não rabisca mais um xis num mapa de pirata. Não sabemos mais onde está o ouro nem se queremos encontrá-lo. Não acreditamos mais em reflexos, ele e eu, porque nos barbeamos usando caleidoscópios.
eu me esparramo em non-sense
e deixo os acordes construindo paredes
embora nesse cenário noir
só mesmo Davis.
Quanto ele, a última que ouvi conta que gritava pela mãe com uma faca de cozinha nos pulsos,
de joelhos sobre o chão.
Me pergunto se poderia copiar uns daqueles desenhos. Deixo pra lá.
afora a náusea, claro.
É coisa de poucos segundos, só mesmo o que não importa. Todas aquelas cabeças por cima dos bancos são só bonecos de teste, mãos movendo-se em flashs, os olhos do anjo na face encardida de deuses. Jogados em pelo menos cinco esquinas. Tudo o que meus olhos viram não é nada comparado ao que minha memória traduz. São tantos horrores e maravilhas, amor. Não gostaria que você estivesse lá. Apenas fique por aqui, apague a luz, aumente o volume e faça amor comigo. Me ouça, meu amor. Me compreenda. Depois me faça sanduíches.
Eu estou aqui pronto para cantar um mundo de irrealidades, minha cabeça cheia, cheia, cheia das mais aterradoras estórias para se contar para os vizinhos e para vocês, mas enquanto isso nossos netinhos estarão lá precisando ouvir os absurdos do real. Apenas por entretenimento. O "seu ninguém" morreu. "nossa", você diz. O "senhor alguém" morreu e isso é apenas entretenimento.
A música é alta e é só o que importa.
porque volume é o que expulsa tudo o que fica preso
nesses all stars
nesses jeans
nesses 98% de algodão penteado.
Nessas cicatrizes.
E é por isso que você não pode me pedir para que eu incomode apenas a mim. Bater a minha porta já é o fim da diplomacia, entre você e eu cavam-se trincheiras atrás de sorrisos. E na minha casa as palavras são disparadas a queima roupa. Eu não baixo o volume nem as armas.
não reconheceria o barulho de tiros se ouvisse.
mas tenho quase certeza que meus vizinhos são baleados
toda semana.
Uma muito boa noite a todos, eu lhes trago lágrimas e balas de goma, na ordem que preferirem. Toda a verdade será jogada nos ventiladores e espirrará em suas faces ao final do espetáculo. E os banheiros são logo ali.
Aceite esta pequena bebida querida N. e a noite descerá mais suave, você vai gostar e no final de tudo, todos nós ainda iremos participar de um churrasco de domingo. Estamentar horas de certezas sobre assuntos que não fazemos a mínima idéia.
Concordaremos
e eu concordo:
tudo é um absurdo.
Costumo passar por cima de muita coisa, pessoa, inseto e buraco, sem grandes épicos sobre. Ainda quero mesmo aprender a guardar o que escuto, não o que vejo. Porque eu não sei desenhar. Mas eu conheci um certo um, certa vez. O homem fazia com a mão, o lápis e o papel, linha por linha, daquele jeito tremido, qualquer coisa que lhe viesse à idéia. E éramos jovens, essenciais, atemporais. Agora um homem não pode mais simplesmente expressar como deus lhe dá o mundo, tem que misturar, colorir, vetorizar, justificar e referenciar. Fazer o seu, o meu e o nosso. Tem que ser infinitivo demais pra mim. Soube que agora ele não rabisca mais um xis num mapa de pirata. Não sabemos mais onde está o ouro nem se queremos encontrá-lo. Não acreditamos mais em reflexos, ele e eu, porque nos barbeamos usando caleidoscópios.
eu me esparramo em non-sense
e deixo os acordes construindo paredes
embora nesse cenário noir
só mesmo Davis.
Quanto ele, a última que ouvi conta que gritava pela mãe com uma faca de cozinha nos pulsos,
de joelhos sobre o chão.
Me pergunto se poderia copiar uns daqueles desenhos. Deixo pra lá.
Cinzas
Tudo assim de repente passou. Novembro chegou. Outono em mim com ares de inverno. Era uma febre. Um vício. E mais uma folha de calendário ao chão. Com tantas folhas lá fora espalhando-se. Dance com o vento outono. Em folhas recortadas em flores caídas e pisadas. Eu queria ter um pouco de neve no meu jardim. Um pouco de branco. Mas são cores amarelas e alaranjadas. Vermelhas são minhas flores que caem logo ali. Onde eu não posso chegar agora por ter medo.
Eu queria ver o céu se enrolar. Dançando com o outono com as folhas e os lençóis estendidos. Como uma menina a girar. Olhando pro céu, vendo ele se enrolar. Se enrolando nos lençóis. Caindo em folhas. E olhando todo aquele cinza cabendo em minha mão. Por entre dedos o sol. Por entre nuvens. Os lençóis provavelmente não enxugarão hoje.
Amanhã quem sabe ele irá voltar. Trará para mim doces em cestas coloridas. Eu lembro de andar segurando sua mão. Ele me segurava. Me impedia. Correr entre as flores vermelhas é proibido. Eu chorava e me contorcia. Os dias passavam. E ele se afastava cada vez mais. Em um outono qualquer, ele me beijou. Em um inverno qualquer, ele se foi. Pisando na neve e nas flores vermelhas. Entre as folhas que ainda caiam do outono recente.
Eu pensei ser um sonho aqueles anos. Toda aquela vida. Em que outonos e invernos se misturavam num céu sempre cinza. E quem sabe eu não esteja vivendo assim no sonho de alguém. Alguém que se balança em uma rede num dia ensolarado.
Eu queria ver o céu se enrolar. Dançando com o outono com as folhas e os lençóis estendidos. Como uma menina a girar. Olhando pro céu, vendo ele se enrolar. Se enrolando nos lençóis. Caindo em folhas. E olhando todo aquele cinza cabendo em minha mão. Por entre dedos o sol. Por entre nuvens. Os lençóis provavelmente não enxugarão hoje.
Amanhã quem sabe ele irá voltar. Trará para mim doces em cestas coloridas. Eu lembro de andar segurando sua mão. Ele me segurava. Me impedia. Correr entre as flores vermelhas é proibido. Eu chorava e me contorcia. Os dias passavam. E ele se afastava cada vez mais. Em um outono qualquer, ele me beijou. Em um inverno qualquer, ele se foi. Pisando na neve e nas flores vermelhas. Entre as folhas que ainda caiam do outono recente.
Eu pensei ser um sonho aqueles anos. Toda aquela vida. Em que outonos e invernos se misturavam num céu sempre cinza. E quem sabe eu não esteja vivendo assim no sonho de alguém. Alguém que se balança em uma rede num dia ensolarado.
Vento
é estranho esse andar... esse movimento constante me balança pra onde eu deveria ir.
e é tão difícil acompanhar aquela música, esse ritmo que toca, que faz doer.
e agora sinceramente eu queria ser mais um pouco de você para que eu podesse me ver um pouco mais.
distante.
assim quem sabe eu poderia me sentir um pouco menos pesada.
e não seria eu responsável por tudo o que se situa entre mim e você.
entre você e além de mim.
é um ritmo.
sempre os mesmos acordes.
as mesmas batidas nos mesmos locais mais inflamados.
o mesmo toque numa intensidade diferente.
tudo se repetindo.
uma orquestra infernal tocando desafinadamente poemas...
...e quando eu acho que estou entediada
meu pequeno clown me faz entender...
que a dança continua mesmo com meus restos ao chão.
que o teatro é sagradamente patético.
que não se há mais nada a desejar
além de projeções alheias em paredes inclinadas.
há uma mulher ali vagando
esperando quem sabe quem
esperando um lugar a pertencer
ela tem vestido rodado daqueles que balançam com o vento
e tenho inveja do seu caminhar
se eu pudesse eu a tocava
aquela mulher que desliza entre as calçadas
e que faz um som a mais naquele mundo
ela balança mas não reage
é como um galho daquelas árvores que sempre vejo em sonhos
apenas esqueço... e já não sinto mais.
mais nada
além de mim sem você.
e é tão difícil acompanhar aquela música, esse ritmo que toca, que faz doer.
e agora sinceramente eu queria ser mais um pouco de você para que eu podesse me ver um pouco mais.
distante.
assim quem sabe eu poderia me sentir um pouco menos pesada.
e não seria eu responsável por tudo o que se situa entre mim e você.
entre você e além de mim.
é um ritmo.
sempre os mesmos acordes.
as mesmas batidas nos mesmos locais mais inflamados.
o mesmo toque numa intensidade diferente.
tudo se repetindo.
uma orquestra infernal tocando desafinadamente poemas...
...e quando eu acho que estou entediada
meu pequeno clown me faz entender...
que a dança continua mesmo com meus restos ao chão.
que o teatro é sagradamente patético.
que não se há mais nada a desejar
além de projeções alheias em paredes inclinadas.
há uma mulher ali vagando
esperando quem sabe quem
esperando um lugar a pertencer
ela tem vestido rodado daqueles que balançam com o vento
e tenho inveja do seu caminhar
se eu pudesse eu a tocava
aquela mulher que desliza entre as calçadas
e que faz um som a mais naquele mundo
ela balança mas não reage
é como um galho daquelas árvores que sempre vejo em sonhos
apenas esqueço... e já não sinto mais.
mais nada
além de mim sem você.
Assinar:
Postagens (Atom)