De que maneira
que diferença
com que pele eu saio presses espelhos?
Até quando
Por quanto tempo
Que diferença?
Se eu falo
se eu não me calo
se eu tento
nenhum alento ou eu passo
do seu olhar.
Eu ando
vista no chão
cabeça e vendo
na folha amarela
na pedra
que eu tropeço
no papel
que eu passo os olhos
que eu não entendo
que eu finjo
você inveja
eu temo pela verdade, pela teoria
O muro
a marca de pés
a nossa dança, nosso sorriso
o botão
o satélite
a transmissão
o fim.
domingo, 1 de março de 2009
nostálgico alíenígena subterrâneo
"Um sopro na manhã
e eu continuo esquecendo
o cheiro do ar quente de verão.
Eu vivo em um lugar onde não se sentem muitos perfumes
e você tem que olhar onde pisa.
Há rachaduras nas calçadas.
E lá no alto
alienígenas flutuam
fazendo filmes caseiros para os companheiros que ficaram
sobre todas essas estranhas criaturas que trancam seus espíritos
fazem buracos em si mesmas
e vivem por seus segredos
elas são...
tão tensas.
Eu queria que eles descessem aqui
numa dessas estradas
nessas madrugadas em que eu viajo
e me levassem a bordo naquela nave brilhante
e me mostrassem o mundo
como eu sempre quis ver.
E eu contaria aos meus amigos,
mas eles nunca acreditariam em mim.
Diriam que eu finalmente perdi todo o juízo
e eu os mostraria as estrelas
e o sentido da vida
eles me mandariam embora
mas eu ficaria bem.
Nós somos apenas... Tão tensos"
Thom Yorke
e eu continuo esquecendo
o cheiro do ar quente de verão.
Eu vivo em um lugar onde não se sentem muitos perfumes
e você tem que olhar onde pisa.
Há rachaduras nas calçadas.
E lá no alto
alienígenas flutuam
fazendo filmes caseiros para os companheiros que ficaram
sobre todas essas estranhas criaturas que trancam seus espíritos
fazem buracos em si mesmas
e vivem por seus segredos
elas são...
tão tensas.
Eu queria que eles descessem aqui
numa dessas estradas
nessas madrugadas em que eu viajo
e me levassem a bordo naquela nave brilhante
e me mostrassem o mundo
como eu sempre quis ver.
E eu contaria aos meus amigos,
mas eles nunca acreditariam em mim.
Diriam que eu finalmente perdi todo o juízo
e eu os mostraria as estrelas
e o sentido da vida
eles me mandariam embora
mas eu ficaria bem.
Nós somos apenas... Tão tensos"
Thom Yorke
Da vida das coisas
O fio se estende no ar sem um ponto de chegada. Ou de partida, não se sabe ao certo. Como as escadas que levam ao nada nos cantinhos das praças recém construídas.
E durante aquele instante o fio saía de um poste sem chegar a outro, sem chegar ao chão nem a nada que o mantivesse ali, suspenso feito braço e mão e dedo de moça, apontando o vazio azul do céu de meio dia. Por um instante, um breve instante. E manteve a pose, como criança que espera a reação à arte, como penteado novo, num orgulho que apenas espera, sem pedir, o elogio.
Por um instante, um breve instante.
E veio o menino e catou a bola fujona.
E passou o moço com a gravidade nos olhos e o olhar no chão. As pessoas cruzam com o amor, mas nem sempre o cumprimentam.
E passaram os pássaros num bater cansado de asas.
E passou a brisa atrasada.
Passou o silêncio.
- Desista. Gritou a folha seca e amarela do chão. – Eu voei daquela árvore e ninguém notou.
- Desista. Suspirou a pedra. – Do tempo eu tanto sei e ninguém, nunca, perguntou.
- Desista. Sussurrou o céu.
E o fio deitou no chão como o sorriso desacompanhado que se fecha.
E o instante, num breve instante, se perdeu.
E durante aquele instante o fio saía de um poste sem chegar a outro, sem chegar ao chão nem a nada que o mantivesse ali, suspenso feito braço e mão e dedo de moça, apontando o vazio azul do céu de meio dia. Por um instante, um breve instante. E manteve a pose, como criança que espera a reação à arte, como penteado novo, num orgulho que apenas espera, sem pedir, o elogio.
Por um instante, um breve instante.
E veio o menino e catou a bola fujona.
E passou o moço com a gravidade nos olhos e o olhar no chão. As pessoas cruzam com o amor, mas nem sempre o cumprimentam.
E passaram os pássaros num bater cansado de asas.
E passou a brisa atrasada.
Passou o silêncio.
- Desista. Gritou a folha seca e amarela do chão. – Eu voei daquela árvore e ninguém notou.
- Desista. Suspirou a pedra. – Do tempo eu tanto sei e ninguém, nunca, perguntou.
- Desista. Sussurrou o céu.
E o fio deitou no chão como o sorriso desacompanhado que se fecha.
E o instante, num breve instante, se perdeu.
Os passarinhos fracos
-Não, eu não sei se vai funcionar.
Bom, das outras vezes funcionou, sabe como é né? O eterno retorno e tudo o mais. Se deu o mesmo problema é porque está pedindo a mesma solução. E eu não vou nem pensar em criar nada melhor, nada se cria mesmo, se tudo se repete então pra que essa briga toda? Esse filme é repetido mas até que é bom. Tem comédia, romance, aventura, é pra todas as idades. Oras, é Disney! Será mesmo que eles pensam que alguém gosta daquele rato? Ah! Mas não é rato. É camundongo. A verdade é que eu nunca conheci ninguém que diga ser fã dele. Acho que até o pluto tem mais capa de caderno. Enfim... é aquela coisa do marxismo. Queriam inventar um bonequinho simpático com quem todo mundo se identificasse. Daí eles criam um rato.
- Não, eu não sei o que eu estou fazendo.
Não que eu esteja dizendo que todo mundo deva odiar a Disney, boicotar a Coca-cola e virar vegetariano, pra mim nada consegue superar um bom churrasco e as propagandas de natal da coca são sempre emocionantes sem falar que aquele filme da Alice ainda é um marco no psicodelismo. Sei lá...é um caso a se pensar, afinal rato é rato, o yoda é um E.T. feio que fala errado e o homem aranha não passa de um “nerd” de sorte. Valorização da fraqueza. É ter uma espinha no meio do nariz e dizer que é charmoso. Isso não é normal, decididamente não é normal, os galãs hollywoodianos estão ficando cada vez mais feios, tem gente trocando Tom Cruise por Jim Carrey. Na natureza os passarinhos fracos não voam, caem do ninho e morrem, enquanto isso as livrarias estão cheias de galinhas ricas escrevendo sobre as próprias asas quebradas. Talvez Hitler não estivesse todo errado com os extermínios. Aliás, o pior erro dele foi mesmo aquele bigodinho ridículo. Eis a diferença entre Hitler e o James Bond. O bigodinho.
- Não, eu não vou mais tentar.
Grande! Agora eu vou pintar uma suástica nos peitos e sair por aí cuspindo nas pessoas. Era só o que me faltava mesmo. Dar algum crédito a um bigodinho daqueles. Logo eu, que sempre fui uma mulher que me levantei contra essas atrocidades.
- Não, eu não vou embora.
Eu vou a cozinha, eu vou ao banheiro, eu vou ao céu e às estrelas. Nada. Eu vou mesmo é a lugar nenhum, vou ficar aqui e resolver meus problemas, mesmo que da forma mais difícil. Claro que antes eu vou tentar a mais fácil de novo.
- Não, eu não vou desistir.
Eu tento, eu luto, eu penso em apelar pros santos. Eu uso tudo de mim, tudo ao meu redor. Tento o possível e o impossível.
Eu fracasso categoricamente.
- Não amor, eu não consegui.
Ele começa a se desesperar, e meu amor não suporta. É hora de tomar uma decisão.
- Amor... eu sinto muito, de verdade...
Eu quase choro.
- Mas acho que você vai ter de levantar e mudar de canal na TV mesmo. Acho que esse controle remoto não tem mais jeito.
Bom, das outras vezes funcionou, sabe como é né? O eterno retorno e tudo o mais. Se deu o mesmo problema é porque está pedindo a mesma solução. E eu não vou nem pensar em criar nada melhor, nada se cria mesmo, se tudo se repete então pra que essa briga toda? Esse filme é repetido mas até que é bom. Tem comédia, romance, aventura, é pra todas as idades. Oras, é Disney! Será mesmo que eles pensam que alguém gosta daquele rato? Ah! Mas não é rato. É camundongo. A verdade é que eu nunca conheci ninguém que diga ser fã dele. Acho que até o pluto tem mais capa de caderno. Enfim... é aquela coisa do marxismo. Queriam inventar um bonequinho simpático com quem todo mundo se identificasse. Daí eles criam um rato.
- Não, eu não sei o que eu estou fazendo.
Não que eu esteja dizendo que todo mundo deva odiar a Disney, boicotar a Coca-cola e virar vegetariano, pra mim nada consegue superar um bom churrasco e as propagandas de natal da coca são sempre emocionantes sem falar que aquele filme da Alice ainda é um marco no psicodelismo. Sei lá...é um caso a se pensar, afinal rato é rato, o yoda é um E.T. feio que fala errado e o homem aranha não passa de um “nerd” de sorte. Valorização da fraqueza. É ter uma espinha no meio do nariz e dizer que é charmoso. Isso não é normal, decididamente não é normal, os galãs hollywoodianos estão ficando cada vez mais feios, tem gente trocando Tom Cruise por Jim Carrey. Na natureza os passarinhos fracos não voam, caem do ninho e morrem, enquanto isso as livrarias estão cheias de galinhas ricas escrevendo sobre as próprias asas quebradas. Talvez Hitler não estivesse todo errado com os extermínios. Aliás, o pior erro dele foi mesmo aquele bigodinho ridículo. Eis a diferença entre Hitler e o James Bond. O bigodinho.
- Não, eu não vou mais tentar.
Grande! Agora eu vou pintar uma suástica nos peitos e sair por aí cuspindo nas pessoas. Era só o que me faltava mesmo. Dar algum crédito a um bigodinho daqueles. Logo eu, que sempre fui uma mulher que me levantei contra essas atrocidades.
- Não, eu não vou embora.
Eu vou a cozinha, eu vou ao banheiro, eu vou ao céu e às estrelas. Nada. Eu vou mesmo é a lugar nenhum, vou ficar aqui e resolver meus problemas, mesmo que da forma mais difícil. Claro que antes eu vou tentar a mais fácil de novo.
- Não, eu não vou desistir.
Eu tento, eu luto, eu penso em apelar pros santos. Eu uso tudo de mim, tudo ao meu redor. Tento o possível e o impossível.
Eu fracasso categoricamente.
- Não amor, eu não consegui.
Ele começa a se desesperar, e meu amor não suporta. É hora de tomar uma decisão.
- Amor... eu sinto muito, de verdade...
Eu quase choro.
- Mas acho que você vai ter de levantar e mudar de canal na TV mesmo. Acho que esse controle remoto não tem mais jeito.
Lágrimas, comunismo e catchup
Chorei, e daí? Tantos choram. Ninguém chora como eu, tudo bem, mas todos choram, tá na moda e faz bem se acompanhado de tai chi chuan nas manhãs de domingo, eu é que detesto auto-ajuda. Todo mundo chora. Tudo bem, ninguém como eu, não como você. Ninguém come você e por isso você chora. Não come ou come mal. Sabe? Às pressas, sem molho, sem cerveja, com muito suor, pouco sangue e, ultimamente, quase sempre sem lágrimas. Ah, deve ser bom comer com lágrimas. Mas é caro,requer dinheiro e eu estou sem tempo. Sem tempo como um relógio quebrado, ou mesmo roubado. Me roubaram dia desses. Pediram-me um celular e levaram um relógio quebrado. Agora estou sem tempo, sem dinheiro e sem lágrimas. E com fome, muita fome, mas me recuso a comer sem molho, serve catchup mesmo, pelo menos é vermelho. Uma comida comunista, dizem que elas são lésbicas e comem mal, ainda por cima, não se dão muito com lágrimas. Nunca comi uma comunista, deve ser raro nesses dias ociosamente consumistas, ah uma comunista genuína...deve ser um prato caro. Estranho. Devia ser de graça. Pago pelo estado. Imagine. Comida comunista pra todo mundo. Capitalismo é uma droga mesmo, e das que viciam. Comunista de verdade só fuma maconha, protege a natureza e odeia o natal, o que não faz do Grinch um comunista, ele é verde, igual ao Martin Luther King.
Ah. Chorei. E quem se importa? Comunistas lésbicas e maconheiras sujas de catchup são mais interessantes. Também acho isso, sinceramente. Mas quando não houver nada melhor pra fazer ou comer ou mesmo masturbar (com catchup ou sem) lembre-se, eu chorei, pouco importa quem mais chorou. Mas dessa vez não foi diferente e não houve nada de especial, tantos choram...
Ah. Chorei. E quem se importa? Comunistas lésbicas e maconheiras sujas de catchup são mais interessantes. Também acho isso, sinceramente. Mas quando não houver nada melhor pra fazer ou comer ou mesmo masturbar (com catchup ou sem) lembre-se, eu chorei, pouco importa quem mais chorou. Mas dessa vez não foi diferente e não houve nada de especial, tantos choram...
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